HISTÓRIA DO BAIRRO DO BIXIGA                   Egydio Coelho da Silva PÁG.

 

Varíola: o flagelo contagioso, que teria dado nome ao bairro

 "O nome teria sido dado ao bairro do Bexiga antigo pejorativamente porque os portadores de varíola (bexiga) se refugiavam na Chácara do Bexiga, pois o Bairro do Bixiga nasceu na parte inicial da Chácara do Bexiga, isto é, nos Campos do Bexiga" (1).

Hoje a varíola, doença que deixava o paciente cheio de bolhas, com aparência de pequenas bexigas, foi praticamente extinta.

Mas naquele tempo era um flagelo fatal. Por ser contagiosa, determinava o afastamento do paciente da família e da sociedade para que não transmitisse a doença para outra pessoa.

E a única coisa, que se podia fazer era isolar o doente e rezar, pedindo ajuda divina contra o flagelo.

Por isso, a Câmara Municipal de São Paulo, conforme consta da ata de quatro de dezembro de 1.873, o seguinte texto: (2)

“Uma vez que não cessaram os sofrimentos por que está passando grande parte da população desta capital em conseqüência do terrível flagelo da epidemia de varíola”, decide a Câmara oficiar ao Vigário Geral do Bispado para que seja trasladada, como era de costume na época, a imagem da Santa Virgem da Penha, "marcando S. Exa, o dia em que deverá ter lugar dita trasladação, a fim de que esta Câmara incorporada aos seus munícipes, vá buscar a referida imagem" .

E, no dia oito do mesmo mês e ano, “Foi deliberado que a Câmara vá até a Freguesia da Penha no dia 13 do mês corrente, às 6 da manhã, para receber a Sagrada Imagem e trazê-la até o Brás e depois à Sé Catedral às horas para isso designadas; e que sejam publicados editais convidando os munícipes para o mesmo fim e para iluminarem a frente de suas casas nas noites dos dias 13, 14 e 15, ordenando-se ao porteiro da Câmara para mandar aprontar os fogos necessários à recepção no Largo da Sé, correndo essa despesa por conta dos Senhores Vereadores.

A epidemia em dezembro de 1.873 de varíola foi muito forte, a ponto dos coveiros reclamarem do excesso de serviço. Fizeram até pedido de gratificação extra à Câmara, conforme texto, que consta nas atas do dia: “20.12.1873 -Requerimento à Câmara dos coveiros do Cemitério Municipal pedindo mais uma gratificação além da que servem, por ter-se aumentado os enterramentos com a epidemia das bexigas, vendo-se obrigados a enterrar cadáveres a qualquer hora da noite como freqüentemente acontece nessas ocasiões”. (3)

São Paulo sofreu vários surtos de varíola durante sua história, datando a referencia mais antiga de 1564. Naquele ano, a epidemia foi muito forte e  "no dia 29 de abril daquele ano havia muitos doentes e as bexigas mataram muita gente "e os que escaparam estão ainda que não podem trabalhar". (4)

 

Página inicial da história do Bixiga e de São Paulo antigo

 

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Referências bibliográficas – desta página

(1) Veja:  Origem do nome Bexiga

(2) Câmara Municipal de São Paulo: 1560-1998: Quatro séculos de história/ Délio Freire dos Santos, José Eduardo Ramos Rodrigues. São Paulo: Imprensa Oficial, 1.998, páginas 41, 42, 43, 91.

(3)  Câmara Municipal de São Paulo: 1560-1998: Quatro séculos de história/ Délio Freire dos Santos, José Eduardo Ramos Rodrigues. São Paulo: Imprensa Oficial, 1.998, página  43.

(4)  Câmara Municipal de São Paulo: 1560-1998: Quatro séculos de história/ Délio Freire dos Santos, José Eduardo Ramos Rodrigues. São Paulo: Imprensa Oficial, 1.998, páginas 70,71.

 

 

Referências bibliográficas - todas

 

1)            Dicionário de História de São Paulo – Antônio Barreto do Amaral – Coleção Paulista; V.19 – 1.980 – Governo do Estado de São Paulo.

2)            Câmara Municipal de São Paulo: 1560-1998: Quatro séculos de história/ Délio Freire dos Santos, José Eduardo Ramos Rodrigues. São Paulo: Imprensa Oficial, 1.998, página 70, páginas 67/68, obra citada de Mawe, John.

3)            Idem, páginas 67, 68,69/70, obra citada de Zaluar, Augusto Emílio.

4)            Idem, página 72, citação a Henrique Raffard, artigo publicado no Diário do Comércio do Rio de Janeiro.

5)            Idem, páginas 70/71

6)            Marzola, Nádia – História dos Bairros de São Paulo, volume 15- Prefeitura de São Paulo – Secretaria de Cultura – Dezembro de 1.979- página 15

7)            Idem, página 16.

8)            Gilberto Kujawski (artigo no jornal O Estado de S. Paulo 30-05-2.002)

9)            SAIA, Luís - "Fontes primárias para o estudo das habitações das vias de comunicação e dos aglomerados humanos em São Paulo no século XVI", lnst. De Adrninst. da Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas da USP, pág. 3 e 4.

10)        TAUNAY, Afonso de E. - Non Ducor, Duco, pág. 211

11)        BRUNO, Ernani Silva - Histórias e Tradições de São Paulo, vol. 1, pág. 205

12)        NOGUEIRA, Almeida - Academia de São Paulo, Viii, pág. 128

13)        FREITAS, Afonso A. de - "São Paulo no dia 7 de setembro de 1822", Rev. do lnstit. Hist. e Geog. de São Paulo, XXII, pág. 3

14)        BRUNO, Ernani Silva - op. cit., vol, 1, pág. 96

15)        PRADO, Paulo - Paulística, págs. 8 e 9

16)        BRUNO, Ernani Silva - op. cit., vol, 1, pág. 96

17)        BRUNO, Ernani Silva - op. cit., vol. 1, pág. 91

18)        SAINT-HILAIRE, Auguste de -Viagem à Província de São Paulo, pág. 89

19)        BRUNO, Ernani Silva - op. cit., vol. 1, págs. 93 e 94

20)        BRUNO, Ernani Silva - op. cit., vol. 1, pág. 45

21)        MORSE, Richard N. - São Paulo - Raízes Oitocentistas da Metrópoi - pág. 474

22)        PRADO Jr., Caio -  op. cit., pág. 229

23)        PRADOJr.,Caio- Forrnação do Brasil Contemporâneo pág-61

24)        Marzola, Nádia – História dos Bairros de São Paulo, volume 15- Prefeitura de São Paulo – Secretaria de Cultura – Dezembro de 1.979- página 34